Esta quarta-feira, 19 de fevereiro, realizaram-se as XV Jornadas de Engenharia do Grupo Águas de Portugal, sob o tema “Unidos pela Água”, em Lisboa, onde se debateram diversos temas ligados a este recurso, entre eles a Saúde e a Segurança.
Um dos oradores deste painel foi Tiago Oliveira da AGIF (Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais), que começou por afirmar que “sem floresta não vai haver água”. Manifestando que “somos bons a governar a água, mas não estamos a dar a devida atenção de garantir as origens da mesma”, “venho defender a gestão florestal como milagre que está por acontecer em Portugal”.
O responsável expôs um leque de problemas ligados a este tema, entre eles a comunicação com os cidadãos e a falta de “coragem política para abordar a gestão florestal para que esta entregue água em quantidade e qualidade”, pois a maioria das bacias hidrográficas encontram-se em solo montanhoso, daí a necessidade de garantir a qualidade dos cursos de água desde aí.
Deste modo, Tiago Oliveira confirmou a vontade da agência em continuar a trabalhar juntamente com o Governo português para a maior proteção das florestas e respetiva gestão, ressalvando que as decisões devem servir mais do que interesses políticos.
Outro interveniente neste debate foi Jorge Vasquez da EDIA, que colocou em cima da mesa a necessidade de mais soluções de armazenamento de água, porque “vamos ter mais período de seca e maiores impactos das alterações climáticas”.
Ressaltando o caso de sucesso do Alqueva, o orador reforçou como os barragens podem ser infraestruturas para dar uma resposta estruturante multidisciplinar para os diferentes usos da água.
Mas questionado sobre a questão da segurança das barragens, Jorge Vasquez comentou: “a segurança das barragens é uma segurança que é estudada por diversos índices (hidráulico-operacional, estrutural, ambiental) e, basicamente, nós temos um regulamento em Portugal que tem nessa matéria algum conhecimento, sendo a última revisão de 2018”.
“A legislação faz parte do Governo e da solução, mas esta precisa de governança. Portanto, há um conjunto de entidades que, naturalmente, têm de ser chamadas à equação para que aquilo que se escreve como se tem de regrar e gerir com princípios, normas e leis, seja efetivamente cumprido”, acrescentou.
Por fim, Graça Freitas, ex-Diretora Geral de Saúde, interveio na discussão para levantar as questões da água e do seu consumo mais diretamente ligadas à saúde, começando por congratular o grande avanço do país no que diz respeito ao saneamento básico, que permitiu reduzir a taxa de mortalidade.
Ao longo do seu discurso, a oradora frisou que a sensibilização à população, relacionada com a água, “tem de se basear na confiança”. E os portugueses confiam porque cada vez que abrem a torneira sabem que têm água segura e de qualidade.
Todavia, Graça Freitas frisou que as coisas não podem ser dadas por garantidas, havendo um grande trabalho a fazer na continuação da boa gestão do recurso, para que se evitem novas pandemias e regresso de doenças relacionadas com consumo de água imprópria.
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