O projeto ibérico OET Durius está a realizar uma análise da biodiversidade e dos ecossistemas em torno do rio Douro e da conectividade entre eles, baseada na investigação e na recolha de informação. O objetivo é garantir a existência de corredores ecológicos transfronteiriços eficientes para conectar a fauna e os habitats.
A bióloga e investigadora Helena Raposeira, que colabora com a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural no âmbito deste projeto, está a desenvolver, em conjunto com entidades parceiras, um estudo com recurso a modelação espacial. Esta investigação ajudará a identificar zonas vitais ou áreas-núcleo mais importantes, possíveis corredores de ligação e os pontos que constituem obstáculos aos movimentos de espécies representativas do território de intervenção do projeto. O objetivo desta análise é propor, junto dos atores locais, melhorias através de infraestruturas verdes.
Para a análise, é necessário definir as espécies a monitorizar e avaliar os locais no território onde encontram problemas de conectividade. Assim, é necessário que as espécies selecionadas representem, no seu conjunto, toda a diversidade de fauna nativa e os processos ecológicos inerentes à sua subsistência na região.
A lontra e o tartaranhão-caçador são duas das espécies que já foram selecionadas para integrar este estudo, sendo representativas dos mamíferos aquáticos e semiaquáticos e das aves estepárias e pseudoestepárias da região. Os dados de presença destas espécies serão importantes para a definição de estratégias para assegurar a existência de corredores ecológicos eficazes em torno da região do rio Douro em Portugal e em Espanha.
Outro fator-chave do estudo passa por identificar as potenciais barreiras que condicionam a conectividade das espécies, como, por exemplo, barragens, parques eólicos e estradas; conhecer a distribuição e as áreas vitais das espécies visadas e, identificando os corredores já existentes, definir potenciais novos corredores ecológicos.
Deste modo, pretende-se propor a implementação de medidas para melhorar e/ou mitigar os efeitos das barreiras e ameaças identificadas para a conectividade das espécies, nomeadamente a criação de infraestruturas verdes, como os muros de pedra, redes de charcas e abrigos, galerias ripícolas, entre outros.
Toda a informação obtida durante este trabalho será integrada no Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro (OET Durius), que consistirá numa plataforma digital de fácil acesso e permitirá a consulta, interação e atualização dos dados, sendo gradualmente ampliada. Este Observatório pretende ser uma ferramenta fundamental para garantir a proteção, a conservação e a conectividade da biodiversidade dos ecossistemas naturais, rurais e do meio urbano do corredor ecológico do Douro, com base na cooperação ibérica.