Nesta quarta-feira, 26 de fevereiro, a Fundação Repsol organizou o evento “Rumo ao Net Zero: soluções de base natural para a captura de CO2”, onde reuniu diferentes especialistas para debater soluções de base natural como caminho para a descarbonização.
No painel intitulado “O Mercado Voluntário de Carbono Português” participou Rita Pereira, Técnica Superior do Departamento de Alterações Climáticas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que explicou que este mercado se inspirou no que tem sido feito lá fora, essencialmente nos mercados europeus mais próximos da realidade portuguesa, como França e Espanha. “Também olhámos para desafios encontrados ao longo de dois anos em relação aos mercados, como o Mecanismo de Desenvolvimento, o artigo 6 do Acordo de Paris e para o regulamento europeu, que não define um mercado, mas de alguma forma estabelece um regime de certificação dentro da União Europeia em relação às comissões de carbono”.
A responsável da APA ressalvou ainda o trabalho realizado em conjunto com entidades públicas e privadas, referindo que “o foco do mercado foi sempre que ele fosse criado numa base robusta e transparente”.
O sistema deverá entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2025, com a primeira metodologia em consulta pública prevista para este mês de março: “com ela, sairá também um template organizado para abrir a porta a novas propostas”, concluiu Rita Pereira.
Neste painel participou ainda José Sousa UVA do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), que falou do papel do instituto na implementação de projetos de gestão ambiental e de desenvolvimento de metodologias para a quantificação de carbono. Além disso, destacou o interesse no mercado por parte de diferentes setores e stakeholders, como a agricultura e a construção.
Também Norma Franco, partner da Ernst & Young, deu a sua opinião sobre o Mercado Voluntário de Carbono: “quanto estamos aqui a falar de uma plataforma de encontro, de procura e oferta, há ainda muita informação que tem de ser clarificada”. “Há que sensibilizar-se para o que se discute quando se fala do MVC”, frisou.
A responsável ainda falou da “necessidade implícita de começarmos a estabilizar aquelas que são as arquiteturas dos mercados voluntários de carbono” – arquiteturas estas que se devem identificar com princípios frisados ao longo do evento, como rastreabilidade e transparência.
Por fim, Hélder Rodrigues da ADENE, referiu que a abertura do portal do Mercado Voluntário de Carbono, perto do final de 2024, verificou “um grande interesse”, por parte de diferentes empresas e organizações que querem utilizar os créditos de carbono.
O evento realizou-se no Salão Nobre do Instituto Superior de Agronomia (ISA), juntando especialistas de diferentes setores para debater soluções de base natural que levem à captura de carbono e à redução das emissões de GEE (gases com efeito de estufa).
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